Susan Coffey*

•7 07UTC Março 07UTC 2010 • 6 Comentários

Esqueci-me de uma mão cheia de palavras. Devo muito à cara que tive durante alguns meses, devo muito aos olhos verdes límpidos e seguramente verdadeiros, devo muito ao cabelo cor de fogo e à porcelana lisa das bochechas pouco rosadas.

Na verdade a Penélope foi praticamente verdadeira, e através dela senti e ouvi coisas que sem ela não seriam simplesmente possíveis… Mas magoa-me uma simples coisinha o facto de, muitas vezes, ter sido mais apreciado o olhar verde da Susan, do que as minhas palavras… Isso sim, magoa-me… É uma desvalorização tão grande da poesia, do sentimento, da emoção, até dos segredos e das próprias palavras…

Ainda assim não posso deixar de valorizar a Susan Coffey, porque ela é, realmente, lindíssima. Tenho é pena que a Penélope não tenha valido apenas e muito mais pelas minhas palavras.

*Obrigada por teres sido grande parte da Penélope, Susan Coffey… Foi por tua causa que ela foi quase a rapariga perfeita, compreende-se…

*Rita Esteves

Penélope*

•4 04UTC Fevereiro 04UTC 2010 • 2 Comentários

“Há palavras que nos assustam…”

Há, com certeza que há… Mas as palavras são belas, tão belas que preenchem totalmente a minha existência… Contudo, a sua subjectividade é tanta que se perde, por vezes, o seu verdadeiro significado… Tentei, com a clareza de mim própria, admitir que esta segunda pele é apenas isso, secundária… Mas, por algum motivo estranho, ninguém pareceu saber isso…

Confesso… Sempre fui demasiado tímida para dar a cara pelo que quer que fosse… Admito, envergonhada, apesar de tudo: Penélope Santana é apenas pseudónimo, uma versão de mim própria: Rita Esteves… :)

Peço desculpa… Sincera desculpa… Mas há coisas das quais precisamos e que não conseguimos explicar… Certo é que descobri o meu valor próprio, o valor real das minhas palavras e daquilo que transmitem às pessoas que lêm :)

Para que me dei eu ao trabalho de um pseudónimo? Realmente não sei, talvez porque precisei de segurança, talvez porque precisei de um apoio para seguir em frente e admitir esta minha paixão pelas palavras… Mas ganhei coragem por ter voz própria, ganhei coragem para me admitir a mim própria enquanto poeta (ainda inexpriente e com poucas palavras…)…

Lamento, sinceramente, a desilusão… Até porque a mim também chegou essa espécie de desilusão… Contudo, espero sinceramente que visitem o meu blog, o meu, Rita Esteves… Chega de pseudónimos, serei apenas eu mesma daqui em diante… :)

http://ritaesteves.wordpress.com

“As pessoas não gostam da Penélope. As pessoas gostam de ti!”

Segunda pele*

•13 13UTC Janeiro 13UTC 2010 • 10 Comentários

Este caminho em que me encontro, nada mais é que uma farsa. Perdi-me como me perco sempre, enrolada na beleza quase etérea da história de amor que poderia ter nascido em qualquer ponto deste rumo… Esta segunda pele, que envergo com o mesmo orgulho com que me levo a mim própria pela vida, nasceu de apenas uma mãe, a arrogância por ser mais que eu própria… Não poderia suportar cara a cara todos os males que enfrentei, porque vivo sob esta vergonha crónica que se apoderou de mim antes de ser quem sou…

Sou mãe desta seguda pele que vo mostro como minha própria essência, sou mãe desta tristeza patente que revelo, sou mãe desta personalidade tão igual a mim… A muitos pareceu estranha esta parecença, a muitos soou desafinada esta melodia que nasceu entre esta pele e a sua mãe, para muitos foi infame esta tão instantânea parceria…

E confesso, esta arrogância não cresce mais que a contade de fazer valer a verdade de ser apenas eu e apenas uma só… Basta ! Digo, tentando afagar o ritmo apressado com que correm as lágrimas pela minha cara… Basta de retirar o mérito da minha própria mãe, basta de falar por esta voz que me soa tão estranha por não ser minha, basta de fazer este encanto próprio perder-se neste rosto alheio… Basta… Serei apenas uma, deixarei a minha mãe para morrer nestas últimas palavras, porque sem ela, sem as suas palavras que digo, eu não teria uma voz tão forte, não teria nascido naquela tarde de Outubro, não teria dito esses poemas que jazem, agora, sem sentido… porque, agora, ser esta segunda pele já não faz qualquer sentido. já não faz qualquer sentido carregar às costas esta tristeza quase indolor…

Tenho, apenas, como últimas palavras, uma pequena carta proferida em silêncio, através dos meus olhos cheios desta dor líquida… A ti, meu anjo, com palavras leves, porque nunca suportaste palavras tristes, te digo, espero que cresça em ti a certeza de saberes da minha essência… Essa essência que encontras nos meus olhos, mesmo que eu a queria esconder, essa essência que cresce, como uma flor, nos encatos felizes das minhas palavras tristes… Entrego-te o segredo pelo qual nunca esperaste e espero, abandonada ao peso desta tristeza, a resposta à segunda palara mais difícil de dizer “desculpa”…

Não seria correcto continuar a entregar o mérito a esta personalidade inexistente com que me mostro… Porque tudo o que eu digo parte apenas de uma voz, uma voz que fala bem de perto e que ganhou poder próprio…

A todos os que partilharam das palavras desta segunda pele um obrigada e a esperança de que encontrarão a minha verdadeira essência numa porta aqui ao lado…

A esse meu anjo, apenas desculpa, porque secaram em mim todas as palavras que eu gostaria de te conseguir dizer…

*Mãe desta segunda pele…

Até sempre

Segundo e meio*

•20 20UTC Dezembro 20UTC 2009 • 8 Comentários

É simplesmente sem palavras que falo, e conto, linha a linha, as mais belas histórias de amor, sem delas saber uma única palavra.

Porque as histórias de amor se escrevem em segredos. Escrevem-se em segredos guardados no fundo de gavetas cheias de poeira e de sonhos. Contam-se de segredos guardados e por contar, daqueles segredos que nunca contamos e que, no fundo, percorreram o mundo sem sequer olhar para trás…

As histórias de amor contam-se com olhares. Contam-se com olhares intermináveis de segundo e meio, com olhares longíquos, mimados de carinho e de alma. Olhares que fogem sem saber muito bem para onde e se perdem a meio gás noutro olhar qualquer…

As hisórias de amor não se contam em palavras, não…

Contam-se em sonhos… Em conversas fugidias sem um único murmúrio a dizer… Em sorrisos meio abafados que se escondem na correria do instante em que o olhar fica, meio perdido, em segundo e meio… Em suspiros…

As histórias de amor contam-se em suspiros…

E sem palavras, fogem, cansadas e vivas, na eternidade longa do segundo e meio… Fogem soltas e sem asas, com voo próprio, vida própria, olhar, presença… Eternidade…

As histórias de amor são eternas: eternidades de segundo e meio, palmo e meio, sonho e meio… E escrevem-se, sem palavras, ao longo de linhas inexistentes e compridas que se extendem até a um horizonte que, lá no fundo, encontra o arco-íris num ponto qualquer e depois, se escondem, cansadas, numa gaveta cheia de poeiras e sonhos e suspiros e eternidades de segundo e meio…

*Penélope Santana e Rita Esteves

Se ao menos eu soubesse sempre isso*

•20 20UTC Dezembro 20UTC 2009 • 5 Comentários

[Por vezes, o vento é demasiado frio... entranha-se na pele e todo o nosso corpo é gelo. No entanto somos leves, e o nosso centro bate quente, muito quente, dentro de nós...]

- Sabes, não devias partir do princípio que aquilo que as pessoas sentem é sempre uma incógnita… Olha que nem sempre…

- Mas às vezes acontece… É estranho… É estranho nunca perceber…

- Eu sei… Eu continuo a acreditar que há sempre maneira de saber… Pode ser a mais pequena coisa, mas de certeza que está lá…

- Não sei… [e olha, ao fundo, a profundidade do horizonte, meio esbatido, meio presente, sem saber muito bem o que dizer]

- É… Podes até achar que não existe… e achas. Mas as coisas mais pequenas, aquelas que parecem nem existir, são, muitas vezes, as mais importantes…

- Pois é… Isso é verdade… À s vezes pode ser apenas um olhar, e daí sabemos tudo…

- Exactamente… Seja como for, tens que começar a ver melhor… As pessoas que gostam de nós demonstram-no sempre, sempre… E isso é mesmo verdade. Incontestável. [Levanto a cabeça ao sol e, de repente, tudo é luz... Verdade incontestável?]

- :) É por isso que eu gosto de verdades incontestáveis.

- Ü ! Eu também… Mas elas dão-te algumas certezas, não te dizem tudo…

- Dizem o suficiente… O resto tem que partir de nós… Há sempre alguma coisa que tem que partir de nós.

- Somos sempre o ponto de partida. Porque aquilo que sentimos, e o que pensamos, parte sempre do nosso centro, não daquilo que se passa fora de nós.

- :) Se ao menos eu soubesse sempre isso… [No fundo, sabe sempre... Apesar de nunca ter bem a certeza...]

*Uma das melhores conversas de sempre, uma das melhores fotografias de sempre… É sempre à beira mar que acontecem as coisas mais bonitas de sempre, seja com quem for, sobre o que for… Provavelmente é apenas um estar em boas energias…

*Penélope Santana

Sobre a vida nada sei*

•15 15UTC Dezembro 15UTC 2009 • 3 Comentários

Sei que deveria fazer tudo aquilo que não faço, mas reneguei ao meu futuro quando, sem outro rumo, parei para chorar à madrugada… Recusei virar de frente e caminhar em pés descalços pela estrada invisível que seguia, torta, ao fundo, sem que eu pudesse olhar…

Perdi o meu passado quando, em olhares meio tortos, me virei de costas para os segredos que, encaixilhados, troçavam e riam de mim com aquele ar matreito com que riem as raposas ao matar… É a matar que o olhar mais vive… E aquele olhar, vivo, matou o meu passado, que, sem outro rumo, se deixou abater no chão de pedra grisalha e bolorenta…

Sem passado nem futuro, reneguei-me a mim própria… Se vivo, sobre a vida nada sei… Recusei o meu futuro, morreu-se-me o passado… E perdida, vagueio, em pés cobertos, mas sangrentos e magoados de saudade…

*Penélope Santana

“Em redor, todas as ruas estão vazias”*

•12 12UTC Dezembro 12UTC 2009 • 7 Comentários

 

São perfeitos aqueles momentos em que não temos a certeza de nada.

- O que queres? – pergunta uma voz que, entretanto, se perde algures na rua contígua que foge no horizonte 300 metros mais ao fundo.

- A verdade é que eu não sei – suspiro.

“Em redor, todas as ruas estão vazias”

*Penélope Santana

Tempestade*

•8 08UTC Dezembro 08UTC 2009 • 2 Comentários

Porque tudo é nada e nada é pó, apetece-me gritar. Se era meu o abraço que me deste, em mim ficou. Se era teu, perdeu-se-me na tempestade. Era nosso. Sim, nosso. E se era nosso, ficou comigo na tempestade.

Caiu sobre mim o céu. E as nuvens, líquidas, dissolveram-se nos meus olhos fundos cheios de ondas e sal. Se fosse meu o abraço que me deste, de nada valiam as ondas e o sal. De nada valia a tempestade. De nada valia ter esperado pela luz.

Volta-se contra mim o vento, as chuvas, os trovões. Voltam-se contra mim o mar e as ondas rebentam nos meus olhos, o sal vai-se nas minhas pestanas e o céu cai sobre mim… Cego de ondas e de sal…

Se fosse meu o abraço que me deste caíria o sol sobre mim. As ondas enfraqueceriam no fundo dos meus olhos e eu seria muito mais que pó. Poeira. Luz. Seria muito mais que luz.

E o abraço teu, meu… Cegou de luz, de pó… Ondas. Sal.

Perdeu-se. Perdi-me.

Da tempestade, nada sei… Dizem que partiu, carregada de ondas e sal.

*Penélope Santana

Dispersão*

•8 08UTC Dezembro 08UTC 2009 • Deixe um Comentário

Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto.
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida…

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:

Porque um domingo é família,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem família).

O pobre moço das ânsias…
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que me abismaste nas ânsias.

A grande ave doirada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que protejo:
Se me olho a um espelho, erro -
Não me acho no que projeto.

Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.

Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi… Mas recordo

A sua boca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.

(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que sonhei!… )

E sinto que a minha morte -
Minha dispersão total -
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.

Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.

Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas…
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas…

Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas pra se dar…
Ninguém mas quis apertar…
Tristes mãos longas e lindas…

Eu tenho pena de mim,
Pobre menino ideal…
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?… Ai de mim!…

Desceu-me n’alma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.

Álcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.

Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço…
A hora foge vivida
Eu sigo-a, mas permaneço…

Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba…

*Mário de Sá Carneiro

*Provavelmente o melhor poema que me descreve, não há nada que eu diria melhor, nada que eu alteraria para se tornar meu… Um dos melhores poemas de sempre, um dos melhores poetas de sempre…

Crónica do último voo*

•1 01UTC Dezembro 01UTC 2009 • 6 Comentários

Respiro fundo.

Encho-me de calma.

Suspiro.

Respiro.

Voo.

Vou por onde o vento me leva.

Alto.

Mais alto.

Sou leve, sou pássaro.

Vou.

Não fujo.

Apenas vou.

Leve vento, leve como o vento.

Suspiro.

Respiro.

Fundo.

Mais fundo.

Respiro fundo.

Alto.

Mais alto.

Voo mais alto.

Fujo.

Não fujo.

Apenas parto.

Vou.

Voo mais alto.

Páro porque parou o vento.

Nuvem.

Chuva.

Raio.

Cego de luz.

Caio.

Baixo.

Mais baixo.

Vou cada vez mais baixo.

Suspiro.

Chão

Nada.

Trevas.

Mais nada.

*Penélope Santana

 
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