Ausência*

•28 28UTC Novembro 28UTC 2009 • 4 Comentários

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus
                                                                            [braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade, in ‘O Corpo’

 

Desafio – Ler-te*

•24 24UTC Novembro 24UTC 2009 • 6 Comentários

Já era altura de me desafiarem… O blog “Ler-te”, que, por acaso, se tem tornado um dos meus preferidos, fez-me uma proposta irrecusável, um desafio, que consitia em completar cinco frases…

*Obrigada por se terem lembrado de mim :)

Eu já tive vontade de me atirar de um penhasco e voar…

Eu nunca desisti, mesmo quando tudo me pedia isso…

Eu sei que tudo aquilo que vivo é bem melhor do que qualquer outra coisa…

Eu quero sonhar para sempre…

Eu sonho com a eternidade dos meus sonhos…

 

*Espero ter correspondido às espectativas Ü

 

*Penélope Santana

Com a cabeça no teu peito*

•23 23UTC Novembro 23UTC 2009 • 8 Comentários

Perdi-me… Não sei o que dizer…

Ontem, com a cabeça no teu ombro perdi-me… Não te ouvi, porque as tuas palavras perderam-se no calor do teu corpo e eu perdi-me com elas…Perdi-me com elas nos teus braços, e… sem adormecer, deixei-me ficar, deixei-me levar…

Não sei o que dizer, não sei o que pensar… Ontem voa na minha cabeça como uma maldição, perdição… Pousei a cabeça no teu ombro e as tuas mãos embalaram o meu coração que, sem saberes, batia forte… Pousei a cabeça no teu peito e, sem saberes, sei que o teu coração batia forte… Pousei a cabeça no teu coração e os meus dedos voaram na tua cara… E eu perdi-me…

Não sei o que quis… Não sei o que quero… Sei que me perdi no teu ombro, no teu peito, no teu coração e que fiquei, desde ontem, desde a noite…

O que eu sinto, nem eu própria sei… Mas deixar-me-ei perder quando, noutra noite, pousar a cabeça no teu ombro e os meus dedos voarem na tua cara… Deixarei que as tuas palavras se percam, novamente, no calor do teu corpo… Deixar-me-ei envolver nos teus braços e, deixando-me perder, adormecerei, com a cabeça pousada no teu peito…

*Penélope Santana

Com quinze anos*

•22 22UTC Novembro 22UTC 2009 • 4 Comentários

Cada vez encontro memórias mais antigas… O tempo e o espaço perdem-se completamente, mas ficam as palavras; palavras que encontro no fundo das gavetas cheias de pó e de sonhos… Perdeu-se-me o seu sentido, mas, num novo tempo cresce um outro, completamente novo, mas cheio de si próprio…

Com quinze anos escrevi

 

Manhã*

 

Caminho, na escuridão entardecida,

Enfrentando a chegada do crepúsculo da manhã,

Desejando a pressa da noite,

Que passa, num tumulto leve e frio,

Como uma ilusão empobrecida.

 

Avanço, decidida,

Num tempo e espaço que se perdem,

Num relance estranho do passado,

Que volta numa realidade gasta,

Desvanecida.

 

Um névoa arrefecida,

Paira no vento gélido que sobrevoa a minha alma,

Empalidecendo a paisagem que,

Num murmúrio baixo e descarado,

Revela uma fantasia esquecida.

 

Não é mais que uma decisão desmedida,

Que trava o meu caminho,

Levando-me a enfrentar a manhã,

Que chega, com a luz gélida e cálida,

Numa paz fraca e sólida.

 

Enfrento o meu medo pérfido,

Abro os olhos, serenamente,

Revelando essa luz branca e infindável,

Do abrir de um novo mundo,

De um sonho renascido.

 

 

*PS: Com quinze anos eu conheci o Al. Obrigada pelo retrato Ü

*Penélope

Amo-te muito mais do que apenas mais um dia*

•17 17UTC Novembro 17UTC 2009 • 5 Comentários

C:

Mesmo depois de teres partido, muito depois de teres ido, tenho apenas uma e uma só certeza… A de que, na verdade não foste, e ficaste, ficarás para sempre no brilho dos meus olhos. Mesmo que as minhas palavras não cheguem até ti e se percam na solidão do ar que me obriga a ficar; mesmo que as memórias falhem e não voem, nunca mais; mesmo que nunca regresses ao teu destino e fiques, porque o ar te obriga a ficar.

Voaremos para sempre, C… Sonharemos sempre mais, sempre mais longe, sempre mais perto… E mesmo que nunca regresses, ter-te-ei para sempre, guardarei para sempre o brilho dos teus olhos e no brilho dos meus olhos ficarás para sempre.

 

Para sempre é muito mais do que apenas mais um dia…

“Amo-te muito mais do que apenas mais um dia”

 

Tenho saudades tuas C…

*Penélope Santana

Instante*

•12 12UTC Novembro 12UTC 2009 • 9 Comentários

Se o tempo parasse no instante em que partiste eu seria feliz. Não foi sequer um instante, foi um sopro, uma brisa. E eu, perdida, apenas chorei. Porque não havia mais nada a fazer, chorei. E isso, foi a eternidade em que viajo desde então.

Se o tempo voltasse ao instante em que partiste, eu seria feliz. Mataria o tempo, tirar-lhe-ia as entranhas e cosê-la-ias ao chão, para que não vivessem mais e depois, leve e forte, perder-me-ia na eternidade do instante.

Se o tempo fosse, de novo, o tempo em que partiste, eu seria feliz. Seria tudo e tudo mais. Dissolver-me-ia em ti e na lz que, de tempos a tempos, jorrava dos teus olhos. Perder-me-ia nas folhas e na relva, na incerteza do horizonte onde te perdeste também, no absurdo de um beijo qualquer, no calor do que sempre guardei de ti.

Mas agora, que te sinto longe… E estou fria, fria… O tempo pára. Não há mais instantes, nem sopros, e tudo o que eu quero é chorar.

 

*Penélope

Ficaste?*

•10 10UTC Novembro 10UTC 2009 • 4 Comentários

Ficaste? Sei que ouvi os teus passos de soldado triste. Passos lentos, vagarosos, de quem espera o último suspiro como o maior desejo.

Via-te muitas vezes, acorrentado, preso entre o humano e o imaterial, sinistro, tenebroso. Ouvia-te. Os longos murmúrios à minha cabeceira a cada meia-noite; gemidos fracos, solitários, daquela saudade de mata, que nos leva.

Sabia que estavas lá, pronto, a qualquer instante, para assombrar os meus pesadelos, para fazeres subir nas minhas costas o mais terrível arrepio, para estares apenas. Gostavas de ser uma ombra na penumbra, um vulto quase material, um escuridão que quase existia e que guarda tudo aquilo que eu não quero ter.

E teimavas em trazer a tua escuridão, invadias, no teu passo vagaroso os meus pesadelos e apoderavas-te deles como se fossem teus!

No entanto habituai-me ao terror, às sombras, à penumbra em que sempre viveste, meu soldado triste e solitário, habituei-me a ver-te entrar com o teu passo lento nos meus pesadelos, habituei-me a ter-te aqui.

Sei que ficaste… escondeste-te entre a mobília, bem nas sombras, qunado para parti para fugir de ti, para não mais desejar a penumbra, para não ter que te ver e perguntar, num murmúrio à cabeceira:

-Quem és tu?

 

*Penélope Santana

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Sonhador*

•10 10UTC Novembro 10UTC 2009 • 2 Comentários

No outro dia encontrei a melhor coisa de sempre: o meu diário de quando eu tinha 16 anos ! Surpreende-me a quantidade de coisas que eu desconhecia, que eu pensava conhecer e afinal… afinal são só memórias das quais não tenho a mínima certeza. Porém, no dia 10 de maio, escrevi uma coisa bastante interessante….

 

10 de Maio de 2005

Sempre disse que a Ilusão era minha amiga, e é! Quando a realidade me falha, é ela que me ajuda. Que posso mais dizer? É o grito de guerra de uma sonhadora, que mais contas não tem a prestar senão aos seus sonhos.HP009792

Um sonhador é grande! É a mais forte e a mais indefesa, a mais corajosa e a mais covarde de todas as pessoas. Que mais se pode dizer de alguém que brinca com a loucura e passeia pelas dimensões com o prazer de uma criança que não conhece o mundo, ou não o quer conhecer? A segunda hipótese é mais viável: o sonhador é aquele que viaja para outro mundo quando este não o agrada, ou o assusta. Um sonhador é frágil, fraco, foge das tarefas difíceis como quem foge de um leão.

Mas tarefas difíceis não são aquelas que nos abalam, são aquelas que têm a capacidade de nos destruir.

(…)

Mas um sonhador não é só aquele que foge; um sonhador é aquele que guia, que quer, que procura. Porque mais que um contador de histórias, um sonhador é um criador. Na verdade, um sonhador não é bem humano; é uma qualquer mutação, metamorfose.”

*Penélope Santana

Casa do Sol e da Lua*

•3 03UTC Novembro 03UTC 2009 • 2 Comentários

“Sempre me intrigou a palavra tristeza. Sobretudo porque os seres humanos a distinguem da palavra doença e eu não percebo porquê. A realidade é que, quando estão tristes, as pessoas ficam baças como quando estão doentes. Que ridículo. O que é o choro senão a manifestação de uma doença a que se pode chamar tristeza?

Os seres humanos avaliam demasiado a sua existência em vez de a observar”

Casa do Sol e da Lua

*Alexandra Quadros, Por detrás das Paredes

 

“-E daí? Eu adoro voar!”*

•31 31UTC Outubro 31UTC 2009 • 4 Comentários

sunday_night

“Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!”

 

*Clarice Lispector