Cada vez encontro memórias mais antigas… O tempo e o espaço perdem-se completamente, mas ficam as palavras; palavras que encontro no fundo das gavetas cheias de pó e de sonhos… Perdeu-se-me o seu sentido, mas, num novo tempo cresce um outro, completamente novo, mas cheio de si próprio…
Com quinze anos escrevi
Manhã*
Caminho, na escuridão entardecida,
Enfrentando a chegada do crepúsculo da manhã,
Desejando a pressa da noite,
Que passa, num tumulto leve e frio,
Como uma ilusão empobrecida.
Avanço, decidida,
Num tempo e espaço que se perdem,
Num relance estranho do passado,
Que volta numa realidade gasta,
Desvanecida.
Um névoa arrefecida,
Paira no vento gélido que sobrevoa a minha alma,
Empalidecendo a paisagem que,
Num murmúrio baixo e descarado,
Revela uma fantasia esquecida.
Não é mais que uma decisão desmedida,
Que trava o meu caminho,
Levando-me a enfrentar a manhã,
Que chega, com a luz gélida e cálida,
Numa paz fraca e sólida.
Enfrento o meu medo pérfido,
Abro os olhos, serenamente,
Revelando essa luz branca e infindável,
Do abrir de um novo mundo,
De um sonho renascido.

*PS: Com quinze anos eu conheci o Al. Obrigada pelo retrato Ü
*Penélope