Tempestade*

Porque tudo é nada e nada é pó, apetece-me gritar. Se era meu o abraço que me deste, em mim ficou. Se era teu, perdeu-se-me na tempestade. Era nosso. Sim, nosso. E se era nosso, ficou comigo na tempestade.

Caiu sobre mim o céu. E as nuvens, líquidas, dissolveram-se nos meus olhos fundos cheios de ondas e sal. Se fosse meu o abraço que me deste, de nada valiam as ondas e o sal. De nada valia a tempestade. De nada valia ter esperado pela luz.

Volta-se contra mim o vento, as chuvas, os trovões. Voltam-se contra mim o mar e as ondas rebentam nos meus olhos, o sal vai-se nas minhas pestanas e o céu cai sobre mim… Cego de ondas e de sal…

Se fosse meu o abraço que me deste caíria o sol sobre mim. As ondas enfraqueceriam no fundo dos meus olhos e eu seria muito mais que pó. Poeira. Luz. Seria muito mais que luz.

E o abraço teu, meu… Cegou de luz, de pó… Ondas. Sal.

Perdeu-se. Perdi-me.

Da tempestade, nada sei… Dizem que partiu, carregada de ondas e sal.

*Penélope Santana

~ por penelopesantana em 8 08UTC Dezembro 08UTC 2009.

2 Respostas to “Tempestade*”

  1. Bonito texto. Gostei muito!

    bjs

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