Tempestade*
Porque tudo é nada e nada é pó, apetece-me gritar. Se era meu o abraço que me deste, em mim ficou. Se era teu, perdeu-se-me na tempestade. Era nosso. Sim, nosso. E se era nosso, ficou comigo na tempestade.
Caiu sobre mim o céu. E as nuvens, líquidas, dissolveram-se nos meus olhos fundos cheios de ondas e sal. Se fosse meu o abraço que me deste, de nada valiam as ondas e o sal. De nada valia a tempestade. De nada valia ter esperado pela luz.
Volta-se contra mim o vento, as chuvas, os trovões. Voltam-se contra mim o mar e as ondas rebentam nos meus olhos, o sal vai-se nas minhas pestanas e o céu cai sobre mim… Cego de ondas e de sal…
Se fosse meu o abraço que me deste caíria o sol sobre mim. As ondas enfraqueceriam no fundo dos meus olhos e eu seria muito mais que pó. Poeira. Luz. Seria muito mais que luz.
E o abraço teu, meu… Cegou de luz, de pó… Ondas. Sal.
Perdeu-se. Perdi-me.
Da tempestade, nada sei… Dizem que partiu, carregada de ondas e sal.
*Penélope Santana

Bonito texto. Gostei muito!
bjs
*obrigada….
sabes que podes voltar sempre que quiseres
*Penélope